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Minas monta a maior recuperação da história para 114 mil alunos da rede pública

Projeto de reforço escolar com aulas extras em português e matemática começa na segunda-feira. Meta é combater reprovação e evasão escolar

20190917104230301680iFoto: Internet/Divulgação

 A antiga “aula particular” é a aposta de Minas para combater a reprovação e o abandono da escola. Depois de vencer a primeira batalha e levar de volta às salas de aula quase 15 mil estudantes, o estado está montando em sua rede de ensino o maior reforço escolar da história para impedir que alunos abandonem novamente os colégios e ajudar aqueles que estão abaixo da média desejada a não tomar bomba.

As revisões em português e matemática têm como alvo adolescentes dos anos finais do ensino fundamental (6º a 9º ano) e dos três anos do ensino médio. As aulas começam a partir da próxima segunda-feira e serão ministradas no contraturno, durante dois meses, a 5.719 turmas distribuídas em todo o território mineiro. Um terço delas são formadas por jovens matriculados no 1º ano do nível médio, uma prova extra de que o grande gargalo da última etapa da educação básica vem realmente do ensino fundamental.

Haverá duas horas por semana de reforço em português e duas horas para matemática. De acordo com a secretária de Estado de Educação, Júlia Sant’Anna, as disciplinas foram escolhidas devido à estrutura da interpretação tanto textual quanto lógica, além de serem as balizadoras do aprendizado. São 114 mil vagas para melhorar o aprendizado em conteúdos identificados como os mais críticos nas avaliações que medem a qualidade do ensino, feitas no ano passado, como o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb).

As aulas começarão dia 23 e estão previstas para terminar no fim de novembro. O material a ser usado foi construído pela equipe da Secretaria de Estado de Educação (SEE). O quadro de professores para o reforço será formado por docentes efetivos que poderão complementar a carga horária caso tenham disponibilidade e, se necessário, serão chamados professores designados. A folha de pagamento do programa vai custar R$ 1 milhão a mais por mês aos cofres do governo.

Os quase 14.584 estudantes que estavam infrequentes ou haviam abandonado a escola são resultado de uma busca ativa feita pelas instituições. Até então sem conhecimento profundo do problema, a SEE pediu a professores e diretores que passassem a lançar a frequência num sistema da pasta que permite identificar quem largou o colégio ou está faltando demais. A partir disso, foi gerada uma lista nominal de alunos que muitas vezes estavam fora da sala de aula há muito tempo. “Fizemos uma simulação: no fim do segundo bimestre, qual seria a situação dos alunos se o ano acabasse naquele momento. Os números de reprovações eram muito altos”, conta Júlia Sant’Anna.

Foram identificadas as escolas que teriam mais reprovações e gerada uma lista nominal por ordem dos casos considerados mais graves, para formar turmas dos alunos que mais precisam. “Fortalece o aprendizado e reforça ao diretor a importância de buscar os que mais precisam”, relata. Caso o aluno não volte à escola, um documento de ciência registra que o responsável foi procurado para dar uma nova oportunidade àquele jovem”, relata a secretária. Assim, cada turma de reforço foi criada com base no seguinte critério: ela se formaria se pelo menos 20 alunos de uma mesma escola, turno e escolaridade estivessem abaixo da média esperada para uma “aprovação” caso o ano letivo terminasse no fim do primeiro semestre.

O resultado foi a criação das 5.719 mil turmas que vão concentrar 5,7% do total de alunos da rede estadual de ensino. O reforço servirá ainda para ajudar os alunos que voltaram para a escola a recuperar o tempo perdido, uma vez que todos foram reinseridos em suas turmas de origem.

A participação no reforço é voluntária. No caso da zona rural, deve ser criado um sexto horário para que os alunos não percam o transporte escolar para voltar para casa. Na área urbana, onde está a maior taxa de reprovação, as aulas vão ocorrer no primeiro horário do contraturno. A alimentação está garantida em todos os casos. “Estamos lutando para esse aluno não abandonar nem ser reprovado”, finaliza a secretária.

Distribuição de turmas

NÍVEL ETAPA LÍNGUA PORTUGUESA MATEMÁTICA TOTAL

Ensino fundamental anos finais:
6º ano 419 435 854

7º ano 406 469 875

8º ano 255 306 561

9º ano 252 295 547

Ensino médio:
1º ano 917 985 1902

2º ano 308 336 644

3º ano 167 169 336

Fonte: uai.com.br

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