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Presos de Montes Claros vencem etapa Norte do Festpri

Festival da Canção Prisional estimula arte e fortalece processo de ressocialização dos detentos

FESTIPRI MOC b 43Foto: Divulgação/Sejusp

  É preciso persistência, disciplina e dedicação para fazer uma apresentação musical sem desafinar. Os mesmos fundamentos são igualmente importantes para aqueles que buscam uma oportunidade para recomeçar. E é justamente com esse espírito que o Festival da Canção Prisional (Festpri), em sua 5ª edição, busca a ressocialização de indivíduos privados de liberdade no estado, com foco na humanização e no estímulo à arte.

Nessa quinta-feira (19/9), 14 acautelados participaram da final da Etapa Norte de Minas do Festpri, em Montes Claros. Com canções que falam de arrependimento, confiança, gratidão e fé, os participantes levaram ao público canções de autoria própria. A dupla vencedora, Pedro Cavalcanti e Luiz Ricardo de Andrade, representou o Presídio Regional de Montes Claros na competição. Eles foram eleitos com a composição “Música para Deus”, com letra que reforça a esperança por dias melhores e a chance de recomeçar.

Este foi o segundo título de Pedro Cavalcanti no Festpri, que se diz feliz em poder participar e, novamente, ter seu talento reconhecido. “A música realmente transforma nossas vidas. Cantando me sinto livre e acredito que, por isso, as pessoas gostam. É muito gratificante ver a alegria e admiração da minha família aqui torcendo por mim”, contou o vencedor.

Luiz Ricardo, que venceu junto com Pedro, acredita que propostas como essa do Festpri fazem muita diferença para os custodiados. “É um momento importante para nos sentirmos valorizados e admirados como ser humano. A música toca os corações e realmente impacta no nosso dia a dia”, afirmou.

Durante toda a apresentação, os olhos de Ângela Cavalcanti brilharam ao ver e ouvir o irmão campeão no palco. “É a segunda vez que ele vence o festival e estamos muito orgulhosos. Esse tempo aqui dentro transformou meu irmão de verdade. Agora, espero que ele cante lá fora e continue nos enchendo desse mesmo sentimento, que resumo em uma palavra: orgulho!”, disse.

Cultura e ressocialização

Representando a Diretoria de Ensino e Profissionalização do Departamento Penitenciário (Depen), da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), Andreia Flois afirmou que o Festpri é uma iniciativa muito especial dentre todas as atividades que ajudam o processo de ressocialização. “Acreditamos que a educação, a arte, a cultura e o fortalecimento dos laços com a família e a sociedade são fundamentais no processo de reintegração desses indivíduos com a sociedade”, destacou.

O diretor regional do Depen pela 11ª Região Integrada de Segurança Pública (Risp), Adaílson Santos, disse estar orgulhoso em poder proporcionar essa experiência para os reeducandos. “É um projeto voltado para a ressocialização e o incentivo cultural. Damos a esses indivíduos privados de liberdade uma oportunidade de mostrarem seus talentos e, quem sabe, conquistarem algo também quando saírem do encarceramento”, afirmou.

Presidente da Pastoral Carcerária e parceiro do festival, Dilson Marques parabenizou a Sejusp pelo evento, que considera importante instrumento para a ressocialização dos acautelados. “Nós apoiamos integralmente o festival porque acreditamos que ele envolve não somente os detentos, mas também seus familiares, a comunidade vizinha e a sociedade”, pontuou.

O segundo lugar da competição ficou com a dupla Michel Martins e Henrique de Oliveira, ambos do Presídio de Curvelo, com a canção “A Mulher da Minha Vida”. Já o terceiro lugar ficou com o quarteto do Presídio Alvorada, também de Montes Claros, composto por Daniela Rocha, Jessica Antunes, Junio de Jesus e Wellington Rodrigues, com a composição “Deus do impossível”. Todos os vencedores ganharam um troféu.

Estiveram presentes no evento representantes das forças de segurança, membros da sociedade civil, familiares e amigos dos participantes, que se reuniram para torcer por seus candidatos favoritos.

Edição 2019

Cerca de 350 presos de 50 unidades prisionais da Sejusp e Apacs participam das seis etapas do Festipri, em 2019. O festival nasceu em 2006 com o nome Festival da Canção Penitenciária (Festipen), envolvendo presos da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Em 2015, a competição passou a ser denominada Festival da Canção Prisional (Festipri) e, em 2017, o projeto foi expandido para todas as regiões do estado.

O evento tem como objetivo favorecer o processo de ressocialização dos indivíduos privados de liberdade por meio da musicalidade, além de incentivar e revelar talentos musicais dentro do Sistema Prisional. A iniciativa é uma promoção da Diretoria de Ensino e Profissionalização do Depen-MG. A última etapa desta edição do Festpri será realizada no próximo dia 28/9, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Fone: webterra.com.br

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