Instituições públicas como Emater, IMA e Epamig buscam alternativas para a regulamentação dos queijos produzidos na região da Serra Geral, no Norte de Minas. Pelo menos 17 municípios são considerados grandes fabricantes, mas ainda não possuem registro para comercializar o produto fora do Estado.

Equipes da Emater, Epamig e IMA se reuniram com os fabricantes para viabilizar o selo que autoriza a venda do queijo artesanal para cidades de outros estados. Há 12 mil produtores na região da Serra Geral, que vendem mensalmente 100 mil unidades. Com a certificação, os fabricantes poderão oferecer o produto a outros estados e ao exterior.

Segundo o superintendente de Abastecimento e Cooperativismo da Secretaria de Agricultura, Gilson Sales, o objetivo da reunião foi apresentar aos produtores as alternativas pontuais, que podem trazer algumas categorias de queijos produzidos na região para a formalidade.

“A região da Serra Geral é caracterizada por uma diversidade de queijos artesanais fabricados com leite cru. A lei estadual 23.157 estabelece a necessidade de pesquisas científicas para que novas variedades de queijos sejam reconhecidas, mas existem alternativas para algumas parcelas desses produtores legalizarem seus produtos, que independem da pesquisa”, explica o superintendente.

O Queijo Minas Artesanal (QMA), que é caracterizado, principalmente, pelo uso do leite cru, coalho e do “pingo”, uma espécie de fermento natural produzido a partir do soro do leite, já pode ter a produção regulamentada. Também têm esse direito os produtores de requeijão moreno e os que trabalham com algum tipo de massa filada (processo de aquecimento da massa), que podem buscar a regularização por meio da agroindústria familiar e a pasteurização lenta do leite.

“É importante frisar que a região é promissora, organizada e tem produção de qualidade. O IMA vai colocar, na região, uma equipe exclusiva para trabalhar diretamente com os produtores nas demandas dos queijos artesanais da região da Serra Geral”, pontua o diretor-geral do IMA, Thales Fernandes.

A produtora Rubinei Santos Gomes optou pelo caminho do QMA para regularizar a atividade. “Tenho produção própria de leite e a produção desse tipo de queijo condiz com a minha realidade”.

Outro objetivo do encontro foi ouvir as sugestões dos produtores para a construção do decreto que regulamentará a Lei 23.157, sobre a produção e a comercialização dos queijos artesanais de Minas, promulgada em dezembro do ano passado.

A secretaria ficará responsável, ainda, por discutir e validar as sugestões dos pesquisadores. Depois de aprovada a redação final, o texto ficará disponível para ser enviado ao Governo de Minas para publicação.

RECONHECIMENTO
Através do Instituto de Desenvolvimento do Norte e Nordeste de Minas Gerais (Idene), produtores de queijo do Norte de Minas participaram do Superminas Food Show, durante a Expominas em Belo Horizonte. O destaque foi para os produtores do queijo Aquino’s, produzido em Brasília de Minas.

Há mais de 30 anos Valdir Ferreira de Aquino trabalha com queijos. Porém, nos últimos anos, começou a perceber a falta de valorização do produto regional e resolveu inovar: passou a produzir queijo minas artesanal maturado, com um sabor acentuado e norte-mineiro.

Valdir conta que também está recebendo apoio da Prefeitura de Brasília de Minas. O próximo passo, agora, é obter a certificação do Selo Arte, que permite a venda interestadual de produtos alimentícios artesanais, como queijos, mel e embutidos. “De agora em diante é trabalhar para conseguir a regularização o quanto antes e poder fornecer nosso produto para grandes redes”, diz o produtor.

A parceria entre o Sindicato dos Produtores Rurais, Sociedade Rural de Montes Claros e Emater já conseguiu impulsionar as vendas de queijo e derivados. Em 2019, pela primeira vez, foi montado um pavilhão especial para comercialização dos queijos produzidos na região durante a Expomontes.

Fonte: onorte.net