Pelo menos seis cidades norte-mineiras foram afetadas pelas chuvas dos últimos dias. Ibiaí, Pintópolis, Rio Pardo de Minas e Bocaiuva decretaram situação de emergência. Januária e Olhos D’Água chegaram a ser atingidas e devem ter o estado de emergência homologado pelo Estado.

Apesar de ter sido registrada uma morte em Olhos D’Água, a situação mais crítica é em Bocaiuva. O município pode ser fortemente afetado pelo transbordamento da barragem de Caatinga, que já está um metro acima do nível considerado seguro para evitar o derramamento.

De acordo com a prefeita de Bocaiuva, Marisa Alves (MDB), a barragem chegou ao limite. Uma reunião de emergência foi realizada ontem na capital para definir ações na estrutura. Representantes do Incra, responsável pela represa, Igam e ainda prefeitos de Engenheiro Navarro, Jequitaí e Francisco Dumont, além da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, definiram uma visita técnica hoje à barragem, construída há mais de quatro décadas.

“Faremos a visita para analisar a viabilidade de reabrir um canal lateral para vazão imediata da água, reduzindo o volume da barragem e deixando-a em situação segura. Mas já na reunião definimos que as prefeituras vão se juntar para contratar a empresa que fará esse trabalho, evitando danos para moradores do assentamento, já que a barragem está no limite máximo”, disse a prefeita.

O rompimento colocaria em risco a vida de 780 famílias somente no Assentamento Hebert de Souza, o “Betinho”. Há uma semana a Defesa Civil do Estado esteve na barragem e realizou um sobrevoo após análise dos dados de segurança do reservatório de 1.300 metros de extensão e 20 metros de altura, responsável pelo abastecimento de água de 270 mil pessoas.

O risco da barragem de Caatinga vem sendo objeto de denúncias e ações na Justiça há vários anos. Análises de especialistas indicam que ela apresenta falhas na estrutura que podem favorecer o rompimento. Mas o Incra sempre alega que não tem recursos financeiros nem técnicos para realizar as intervenções necessárias. Agora, com o grande volume de chuvas, a situação se agravou.

Marisa Alves contou ainda que a cidade declarou situação de emergência em decorrência de danos em diversos distritos. “No distrito de Pedregulho, por exemplo, as forças das chuvas levaram uma ponte de mais de 10 metros de altura”.

Morte na zona rural
Em Olhos D’Água, uma menina de 2 anos morreu atingida pelo telhado da cozinha da casa em que ela vivia. O imóvel, na zona rural, apresentava rachaduras desde a última sexta-feira (24), quando uma forte chuva caiu no município. Na segunda (27), o teto desabou.

Um vídeo que circula na internet mostra o momento em que um home carrega a menina nos braços e enfrenta a força das águas em busca de socorro.

Corpo de Bombeiros e Samu informaram que não conseguiram chegar a tempo na comunidade porque estava ilhada, devido à cheia do ribeirão de Areia.

Um helicóptero dos Bombeiros de Montes Claros também não pôde sobrevoar a região pelo mau tempo. A Defesa Civil local informou que não há desabrigados na cidade.

O chefe de gabinete da Prefeitura de Olhos D’Água, Álvaro Antônio Nunes, informou que a menina chegou a ser socorrida, mas morreu a caminho de uma unidade de saúde.

 

image

 

Fonte: onorte.net