Às vésperas do Natal e do Réveillon, período em que a necessidade de estoque de sangue é maior, o número de doadores diminui no Norte de Minas. O volume de material disponível chega a cair até 55%, revela Rosana Silva, responsável pela captação de doadores do Hemocentro Regional de Montes Claros.

A unidade atende uma população de 2 milhões de habitantes, fornecendo sangue para 38 hospitais de 26 municípios da região.

“A situação é preocupante, porque nesse período o número de acidentes costuma ampliar bastante”, ressalta Rosana, lembrando que o estoque atende pacientes hematológicos, que recebem transfusões com regularidade.

Nesta semana que antecede o Natal, a situação do estoque é crítica. “Estamos com muitos pacientes O e O negativo em diversos hospitais aguardando. Ontem (terça-feira), tínhamos apenas uma bolsa de sangue O negativo no Hemocentro, mas o ideal é que tivéssemos 33 bolsas na reserva para atender os hospitais”, afirma Rosana.

Ela acrescenta que o tipo O positivo está igualmente preocupante. “Tínhamos quatro cirurgias só no Hospital Regional de Janaúba, que praticamente consumiram o restante do nosso estoque”, lamenta.

A maior demanda de sangue na atualidade é de quatro municípios: Janaúba, Bocaiuva, Pirapora e, sobretudo, Montes Claros. Para tentar recompor o estoque, o Hemocentro Regional está convidando os doadores para uma coleta extra no próximo sábado (21).

“Não abriremos no dia 24, nem dia 31 e 1º de janeiro, porque não aparecem doadores. Funcionaremos normalmente nos demais dias, de 7h às 17h”, explica Rosana.

A farmacêutica Ana Paula Dias Ribeiro, de Montes Claros, atendeu ao chamado do Hemocentro. “Meu sangue é O positivo e eu já havia feito doação. Como eles tinham meu cadastro, aceitei prontamente”, disse. “A doação não tem que ocorrer apenas no Natal, quando a demanda aumenta, mas no ano inteiro. Por isso me esforço para doar sangue várias vezes ao ano”, afirma Ana Paula.

Doador norte-mineiro é um em um milhão
O auxiliar de laboratório Eurico Prates de Souza, de 34 anos, casado, pai de dois filhos e à espera do terceiro, guarda uma preciosidade. O sangue dele apresenta alta compatibilidade para transplantes de medula e o norte-mineiro será inserido no Bano Internacional de Doadores de Medula Óssea.

“Eurico é um em um milhão, muito raro e não tem a ver com o grupo sanguíneo propriamente dito, é genética. O mapeamento genético dele foi comparado diariamente ao longo de muitos anos com aqueles que necessitam no mundo inteiro de medula óssea”, explica Rosana Silva, do Hemocentro Regional de Montes Claros.

Ontem o morador de Montalvânia viajou 345 km até Montes Claros para fazer a coleta definitiva para preencher os protocolos confirmatórios de Cadastro Internacional de Medula Óssea, no Brasil sob a responsabilidade do Instituto Nacional do Câncer (Inca).

Os testes são realizados há oito anos e, agora, com a confirmação da alta compatibilidade, Eurico pode salvar vida em alguma parte do planeta. “O que me deixa mais feliz é que alguém vai resolver um problema de saúde. Há mais prazer em dar do que receber”, destacou Eurico.

“Não sabemos ainda para qual país a medula e o sangue do Eurico serão destinados. A partir de agora, quem vai chamá-lo é o Ministério da Saúde”, explicou Rosana.

O Inca estima que o Brasil tenha, em média, 850 pessoas em busca de um doador não aparentado compatível para o transplante de medula óssea. O país possui um dos maiores bancos de dados de doares do mundo, com quase 5 milhões de pessoas cadastradas.

Fonte: onorte.net